.... É impressionante, mas me senti super sozinha em Brasília... Sozinha no domingo à noite, sozinha durante a semana, depois do trabalho - ao voltar pro quarto depois do trabalho, com aquela TV de 14 polegadas, que quase não pegava nenhum canal aberto que estou acostumada a assistir aqui em Sampa e pior: sem tv a cabo... (isso me lembra Otto: "acabo de comprar um tv á cabo, acabo de comprar um tv....").
Ou seja: solidão no sentido mais puro, pleno e literal da palavra... SO-LI-DÃO.
Meus colegas de trabalho não eram desta vez tão animados quanto os das outras vezes em que fui - pelo menos saíamos para jantar nos shoppings de Brasília e conhecíamos os lugares, víamos gente, voltávamos pro hotel exaustos de andar e com sono - desta vez não.... Só jantei em duas noites - uma sozinha e outra com um gentil colega caridoso (e ele nem era do grupo, mas da mesma empresa - Roberto Mauro - obrigada por fazer companhia à esta velha e cansada soldada de guerra e me levar para comer o creppe mais cheio de catupiry que já comi na minha vida!).
Enfim...Destta vez também não consegui fazer passeios típicos de "turista"...Eu simplesmente saía do curso, voltava pro quarto do CNTC (sim, um centro de convenções - não um hotel - no lado mais afastado da cidade, porém com o quarto mais limpinho e ajeitadinho que já tive a oportunidade de me hospedar em Brasília), me afundava debaixo do edredon e só acordava - atrasada - no dia seguinte, para mais um dia estafante de metodologia, formulação de questões e tudo o mais que vocês puderem imaginar como soníferos naturais de uma garota no período pré-menstrual, sozinha na semana dos namorados, se sentindo a única humana entre toda uma nação de zumbis.... Gente, tomei coca-cola (normal e extra gelaaada) e café como nunca tomei em toda a minha vida... Para compensar, também foi a semana em que comi mais frutas e bebi sucos naturais de toda a minha vida...
Enfim, a semana passou, no sábado novamente o super Roberto - excelente companhia, fã de Legião Urbana, cicerone e guia turístico (porém, pouco conhecedor da obra "Os Calangos"), surge com seu super GOLF AMARELO (tá, peço desculpas em público - eu achei que se tratava de um mero golzinho e ele ficou muito irado PORQUE AQUILO AFINAL DE CONTAS ERA UM G-O-L-F!!!) para me levar para conhecer rapidamente a catedral, um monte de esculturas, os anjos da abóbada (eu só reconheci o Gabriel, que era o maior e estava mais perto de nós, humanos....rs), conhecer uma ponte lá muito louca, com uma estrutura que era o TOP do momento na capital federal e tirar minha QUERIDAS FOTOS DE TURISTA, finalmente, depois de 3 estadias na cidade...rs...
Enfim...Foram os momentos em que me senti de volta à humanidade... De novo, Roberto, obrigada! (meu noivo deve estar com um super hiper mega ultra giga ciúme - mas, Dani, o Roberto é tipo assim o cara com quem tenho relacionamento puramente por dinheiro ....rs - inside joke total).
De volta à Sampa, já é terça-feira, ainda não desfiz as malas e me sinto incrivelmente ainda mais sozinha do que me sentia em Brasília...
A cidade me irrita, o povo me irrita, o trânsito me irrita, a falta de foco e de saber em que lugar físico do universo finalmente vou trabalhar acaba com meus nervos, as novelas da Globo me irritam, meus gatos miando me irritam, a proximidade com a família me irrita...
...Eu acho que queria pegar minhas malas, o Dani e mudar de vez para Brasília...Pelo menos lá, não tem tanta poluição, há uma pira eternamente acesa (só quem já foi turista de Brasília vai entender esta), o maior tráfego é de 3Km, quase não há lixo nas ruas (começo a não me stressar mais com a terra eternamente vermelha que surge em todos os lugares e acaba com meus saltos finos) e já começo a entender o que é SGAS, SQN, SHS e todas as outras siglas que tomam o lugar dos nomes das ruas e bairros daqui de Sampa...
Enfim... Como cantaria Renato Russo (saudades): " ... queria ser como os outros e rir das desgraças da vida, ou fingir estar sempre bem..."
É só hoje.... E isso passa....
É, Renato, conheci sua cidade natal, atravessei o Eixão depois das seis da tarde, mas rezei para Nossa Senhora do Cerrado, cantei a música "travessia do Eixão" (outro recente amigo de Brasília me contou que a autoria não é do Renato Russo e de ninguém da Legião, mas não me lembro o nome do poeta agora) e até dancei... Agora espero me readaptar à MINHA cidade...
Nina
TRAVESSIA DO EIXÃO
Nossa Senhora do Cerrado
Protetora dos pedestres
Que atravessam o Eixão
Às Seis horas da tarde
Fazei com que eu chegue
São e salvo na casa da Noélia
Fazei com que eu chegue
São e salvo na casa da Noélia
Nonô, nonô, nonô nô nô nô ....
Há 6 anos
