26 de mai. de 2008

PERDÃO, FORGIVE ME, PARDON, GOMEM, ENTSCHULDIGUNG, PERDONAMI

Sentindo que devo uma série de perdões inacabáveis à minha melhor amiga, irmã, confidente, semi-amor-lésbico, filha, companheira, parceira de faculdade, baladas, frias, enrascadas, brigas, choros, abraços e MUITAS risadas, quis compartilhar com quem quer que leia este meu blog a mensagem que eu mandei à minha única amiga de verdade: Daniela Cristina de Oliveira.

Ou, como é chamada aqui no mundo do Blogspot: Dani lá Fora

Segue o texto em azul para diferenciar os meus comentários posteriores....


Dani, eu sei que te devo um milhão de pedidos de perdão para compensar não termos conseguido nos ver antes de você voltar para um mundo lindo, grande, rico, verde e civilizado e me deixar aqui no trânsito, pagode, suor, cerveja, pedreiros sem dente, mendigos que te xingam se você resolver dar R$ 0,50 quando ele te pede "qualquer coisa", caos, buracos nas ruas, poluição visual, sonora e quilos de gás carbônico...

Enfim, cá estou, no mesmo bat-emprego, com as mesmas contas crescendo (como se eu tivesse as mandado para férias em ITU ou tivesse colocado numa bacia com fermento durante a noite, sei lá), o mesmo noivo (graças a Deus e à paciência do Dani), a mesma mãe, o mesmo excesso de quilos (ai, que raiva), o mesmo salário com o primeiro dígito ainda sem chegar no sonhado número 3, no mesmo "apê", no mesmo bairro, com as mesma vida, as mesmas bandas...Enfim...A mesma...

Caraca... Hoje me bateu uma saudade violenta de você e tenho que admitir que posterguei propositalmente ler seus e-mails na minha caixa de entrada do Yahoo, porque de alguma maneira que tenho certeza que Freud explicaria, isso me dava uma sensação de que os e-mails eram recentes e que a qualquer momento eu poderia ligarno seu celular e marcar uma baladinha light aqui em sampa ou ir pra aula no Mackenzie e fazer um pit stop na casa do pão de queijo para falar mal das meninas magras com roupas feias ou sapatos que não combinariam com qualquer tipo de vestimenta venusiana em um milhão de anos.Enfim...Hoje criei vergonha na cara e fui ver os e-mails e cara....Saber com certeza de que momentos memoráveis do grande teatro popular brasileiro como "Machaaaaaaaado de Asssissssssssss" não vão mais acontecer...E que também não xingaremos mais o Eddie porque ele comeu um pedaço imenso (tipo 85%) do nosso lanche que já compramos o mais barato porque a grana tava curta. Ou que não haverá mais momento "De ladinho??? DEUS ME LIVRE!!!!".

Também não vai mais ter dança no Show Bar com direito a um barman com 1,49m tacando fogo no teto.Também não vai mais ter corsa roxo chegando estiloso na porta da balada, com uns 2 ou 3 homens estranhos tentando entrar pela porta de trás enquanto eu tento engatar a 1ª marcha para sair rasgando pela Cardeal Arcoverde.

E pensar que não haverão mais momentos "Dani, caralho, que inferno, termina logo com este imbecil que não sabe tomar banho direito e ainda fala a célebre (e imortal) frase "Que é isso aê??? É Corazón Espinado? hehehehe...." " e nem momentos como "Dani, sai daqui do estúdio de revelação porque este carinha lindo estava me azarando antes de você chegar com voadora querendo me contar que o fulano te deu uma aliança e estragar para sempre o meu barato com um cara que eu não sei o nome, não sei o curso, não sei a matrícula e nem onde encontrar de novo"...

E nem momentos como "Professor, desculpa aí, mas posso te fazer uma pergunta: você usa peruca? Ahn, não? Posso pegar no seu cabelo pra ver se é verdade? É, porque quando vc se mexe, seu cabelo fica imóvel...."....

Isso me deixa super deprê.Pra quem vou ensinar a colocar camisinha com a boca, no banheiro feminino da faculdade, com uma camisinha de uva, comprada no Pão de Açucar da esquina, rindo muito de uma situação absurda e resando para que nenhum garota entrasse no banheiro para não pensar que estava surgindo uma nova dupla "T.A.t.U." brasileiro no banheiro do Mackenzie?Não fizemos 1/3 dos nossos planos, não faremos pós-graduação juntas e nem montaremos a nossa agência de publicidade que mudaria os rumos da propaganda no mundo e nos colocaria como empregadoras de gentinha como Washington Olivetto e tantos outros...

Sinto que o melhor da minha vida está guardado em alguma caixa pequena, lacrada e que não posso ter acesso. Me dá um énorme nó na garganta imaginando que não posso reabrir esta caixa quando eu quiser, porque para abrí-la são necessárias duas chaves, que giram juntas. E uma das chaves está no Brasil. E a outra, em Montreal.

Cara...Quem vai me chamar de Texugo cor-de-rosa? E agora, o que faço com a roupa de toureira que eu comprei? (piada interna) rs

É, amiga...Só rezo para que o mundo dê muitas voltas e, numa delas, que nos encontremos de novo para girarmos as chaves da minha caixinha e podermos dar boas risadas do passado e guardar lá mais um monte de novas memórias, sonhos, confissões, segredos, planos e maluquices...Enquanto isso, fico aqui no Brasil, tentando manter contato pela internet para saber pelo menos que minha "irmã" está bem, saudável e feliz. E acompanhar o seu progresso nem que seja só virtualmente já é um bálsamo pequeno (uma folha de salsinha em um corte para retirada do rim), mas já é um conforto.E vou dando minhas risadas com as suas histórias de saco na cabeça e empresa CONFIDENCIAL, esperando também te levar umas pequenas lembranças boas para te acompanhar pelos dias de frio aí no Canadá.

Boa sorte, muita saúde, fé e força.Estarei aqui sempre pra você.Te amo,Paty


Acabei de pensar que este é um texto semi-lésbico e de alguma maneira, após atenta releitura, sinceramente sinto que nunca escrevi nada tão verdadeiro para alguém.

Com base nesta experiência que beira o Nirvana (não a banda), acho que começarei a repetir diariamente (ou à medida que minha paciência, a lentidão do meu micro e meus dedos permitirem).

Acho que vou começar com as pessoas que me são caras e/ou que me cercam...Em seguida pretendo fazer uma auto-crítica cítrica da minha vida atual...Ou não...sabe lá Deus o que mais irei descobrir sobre esta cabeça peluda à medida em que for escrevendo os próximos posts?

Ciao,

Nina

Nenhum comentário: